Acordamos... dentro da hora planeada. Comemos folar novamente, eu agradecia. Saímos as 8h e procuramos onde reforçar com um café. Ficou decidido ir nesse dia "apenas" até Porrinõ. E digo apenas, porque apesar da distância ser relativamente menor do que a que tínhamos percorrido no dia anterior, esperavam-nos alguns desafios pelo caminho.
Eram 9h da manhã e estávamos a arrancar de Valença. Partimos com a esperança que, o tratamento dado às bolhas pela Sr. Enfermeira resultasse e fosse possível continuar esta aventura.
Perdemos uns 15minutos na Ponte de Tui... que tem uma estrutura realmente interessante, e seguimos. A partir daqui sentimos uma poupança de tinta considerável e a habituação as novas marcações demoraram. Nunca nos perdemos, mas até percebermos que as marcações aqui existentes eram as suficientes, seguimos em alguns momentos ansiosos por encontrar uma seta amarela.
A boa disposição reinava no grupo, e com o "nosso vagar" lá fomos percorrendo os primeiros km e às 11h40 estávamos parados na Ponte das Febres. Estávamos a alcançar metade do caminho previsto para este dia. Descansamos 15min e lá seguimos viagem sempre em caminhos de terra numa zona muito agradável.
As 13h avistamos o que seria o pesadelo da jornada - O Polígono Industrial de Porriño. Fizemos uma pausa para almoçar e repor energias. Comemos um belo de um bocadilho e as 13h45 partíamos para o que faltava da jornada, 8km.
Quando entramos na recta a coisa meteu medo. Muito transito, principalmente camiões que nos abanavam por todo o lado, o que para quem anda a pé, é de um desconforto tremendo. Passado meia hora olhamos para trás e "já fizemos quase metade da reta". Eis que surge uma loja do El Corte, os “amigos das bolhas” decidiram ir procurar umas botas decentes, mas o que conseguiram trazer foi só meia dúzia de cuecas a preço de saldo!
Acabamos a recta, feita com uma temperatura considerável, a pensar que o calvário para aquele dia tinha sido ultrapassado. Mas para nosso espanto, ainda só íamos a meio. O resto do caminho foi feito sempre em estrada nacional até Porriño.
As 15h45 tínhamos alcançado o Albergue de Porriño. Deitamo-nos cá fora no relvado, dando descanso aos pés e as perninhas. Alguém batia ao vidro lá dentro a perguntar se queríamos entrar. Eram duas portuguesas que tínhamos conhecido a noite anterior em Valença, que nos proporcionaram entrar pró Albergue numa hora em que não é previsto aceitarem a entrada de peregrinos (horas de limpeza). Tomamos um banho, instalamos as nossas coisas nas camas disponíveis e partimos para o centro da cidade de Porriño para tirarmos a barriga de misérias.
Eu aprendi a dizer fino em espanhol, foi um momento marcante. Obrigado Jobbe :D
Enquanto comíamos umas tapas e bebíamos umas canhas, admirávamos aquela praça repleta de gente, principalmente miúdos. Eram 18h30.
O grupo estava feliz, e esta refeição marcou o virar da página. Nesse momento sabíamos que dificilmente não chegaríamos a Compostela. Quem tinha bolhas resistiu à dor, e quem não tinha estava mais confortável com isso.
Decidimos então na etapa seguinte recuperar o perdido. Apostar em 35km, saltar Redondela e só parar em Pontevedra.
De volta ao Albergue estivemos na letra com outro peregrinos.
Temos de falar aqui no Leonel e no João. Dois peregrinos partidos de Barcelos que nos deram alento para alcançarmos Pontevedra no dia seguinte.
O Percurso
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